Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Que se passa com a Cultura?

Pelo que leio no "Mais Évora" e no "Notícias d'além Tejo", reina grande agitação na Direcção de Cultura do Alentejo. Sai o director apelidado de incompetente (pelo menos), fala-se de dinheiros escusos, em sras. chefes a roubar melões em carro de serviço, em motorista para todo o serviço....
A ser verdade, lindo, dignificante, uma vergonha para o bom nome da  Direcção de cultura
Esperemos que a nova Directora tenha coragem, competência e tempo para pôr a casa em ordem.
Esperemos também que, como Arquitecta, saiba também limitar o Acrópole XXI...

Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Querem tirar a alma a Évora?
Meses atrás, num dos meus passeios nocturnos, deparo, à distância, com o que me pareceu ser uma qualquer festarola de habitantes de bairro, reunidos à volta de uma mesa…chego-me ao grupo e reparo que, sendo festa, que também o era, mais seria a reunião de uma qualquer corte, podendo-lhe também chamar feira de vaidades. Pois lá estava um senhor todo de preto vestido que discursava sobre um excelente projecto de reabilitação, salvo erro daquele bairro, um conjunto de maquetas que se podia “visitar” enquanto outro senhor as descrevia a um grupo de congratulados cortesãos, as forças vivas da noite, embora predominassem as cores claras.
Da plebe, pouco ou nada, não se dava por ela. 3 ou 4 circunstantes, eu incluído e de passagem. À pergunta do sr que com prazer e notória autoridade presidia à sessão da corte, se haveria algum comentário, um plebeu demanda-o sobre as suas torneiras e porta do quintal (salvo erro). Foi encaminhado pela majestática figura para o presidente? da câmara que lhe resolveria o problema…espero que tenha sido a contento
Outro circunstante ousou realçar o facto de a populaça não ter sido conveniente e atempadamente chamada à audiência. Foi negado o facto por membros da corte. O ar decadente daquilo tudo…
A mim, pareceu mais uma feira de vaidades à velha portuguesa, em que meia dúzia de cavalheiros se reúnem para se auto-congratularem e se darem, mutuamente, ao prazer de coçarem o ego a cada um, saberão eles porquê.
Arrepiou-me, isso sim, ouvir duas daquelas personagens comentar o facto de para fazer uma rua por ali, deitar uns prédiozitos abaixo. Sei que é feio ouvir conversa alheia, mas até me deu ideia que seria importante para aquela gente, que alguém sentisse, por um momento, a importância de eles estarem ali e o poder que detinham.
E lembrei-me disto porque, não há muito tempo, tive oportunidade de ver outra maqueta. Da Câmara
Acrópole XXI
Se da outra pouco vi, com esta recreei-me.
Acho que é um excelente projecto se retirarem do centro do modernaço, o Templo de Diana. Fica ali perfeitamente deslocado.
Se não, vejamos. Há dinheiro para gastar e tem de ser gasto. Obra tem de ser feita. Évora deverá ser a única cidade com rotundas quadradas. Continue o Sr. que sei agora ser importante e chamar-se Ernesto, a ser original. Leve-se a obra até ao fim…deite-se o Templo abaixo, já que se vai subir o pavimento, e cobrir a seu pódio/base/alicerce faz tanto tempo exposto, afinal só quase completo, e depois com aquelas coisas por cima, muito escaqueiradas
Tenha a coragem de ficar na história. Sugestão para uma Placa/Memorial em sua homenagem:
“Aqui Jaz o Templo de Diana, construído por Romanos incógnitos do Séc. I DC, mandado demolir por mim, Ernesto Augusto, Presidente, circa 2010-2011””
O templo tem de ir abaixo.
Com ele em pé, esse projecto não passará de um aglomerado de clichés arquitectónicos perfeitamente vulgares, datados, ultrapassados, déjá vu, podiam ser empilhados em qualquer lugar, Lego, péssimo projecto em minha opinião, dando forçosamente a ideia de que, havendo um concurso, o júri teria sempre de aprovar qualquer coisa, por muito má que fosse. Bravo júri que tal obra aprova. Deve ter sido mesmo um caso de consciência “noblesse oblige”, sem remorsos, com honra e dignidade. Dinheiro há para ser gasto, obra tem de ser mostrada, mesmo que envergonhe a cidade (La Palisse). Dê por onde der. Aprove-se, sem vergonha ou pesos de consciência. Que durmam sempre descansados.
E na mente de iluminados, para evitar apelar à cultura pato bravense, não basta estudar, melhorar o que existe e manter a alma e harmonia de espaços, tentar manter o espírito e traça originais. Substitui-se, por todo o lado, a calçada, por laje de calcário ou granito, coisa modernaça. E quente ao sol de Évora. Abatem-se árvores, acaba-se com um dos dois únicos jardins da cidade. A plebe, a velharia residente vai sentar-se ao sol, em bancos de pedra, poucos, mas quentinhos. (vai ter repuxos?) Terão sempre uma boa, enorme casa de banho, não sei se à dimensão da sua necessidade, (já poucos os velhotes, restarão os turistas em magote a visitar o espaço modernista estilo centro comercial), por certo à medida do ego presidencial/arquitectural.
Lindo aquele bar gaiola-de-vidro,-sauna, alcandorado sobre o troço de muralha romana com o tanque para os patinhos, ao lado. Amenizará a temperatura de tanta pedra a reflectir e armazenar calor. Repuxos? Poderemos chegar ao muro e olhar a Norte?
Não se entende como desistiram do estacionamento subterrâneo e mantêm a porta romana abaixo, que nem sequer se vê do bar e a malta que passa por lá, não liga.. Desperdício. Gostei da vontade, talvez oculta, mas eu percebi, de promover o ciclo-turismo ou o uso de Segway, ao implementar sentido duplo em algumas das ruas limítrofes. Boa malha. Se não houver Clientes para as bicicletas, que o Povo mandria e está a ficar velho, amanda-se-lhes com os autocarros para rentabilizar os sanitários.
Se optam por não melhorar o que está, se optam por acabar com os jardins da cidade, se optam por lajeados, verdadeiros disparates, (aquele em frente da fundação Eugénio Almeida também fica bem se deitarem a Sé abaixo, assim destoa, aquilo é mais entrada de Hipermercado ou monte alentejano de novo rico), estão a roubar a alma de Évora, estão a roubar-lhe a individualidade, personalidade, a sua identidade, estão a roubar o que a torna única. Mas será que ninguém vê que aquilo é um desastre ?.
Tenha termos presidente, esta Cidade não é seu quintal para a andar a forrar de mau gosto..
Não a mascare, disfarce só um pouco as rugas que lhe dão dignidade. Não torne a Velha Senhora, numa qualquer Lolita.
Este projecto Acrópole XXI, só mostra que, mesmo ganhando as eleições, o sr. não gosta, nem merece a cidade.
E chamam-lhe progresso? Estranha gente esta
Da Cultura e seus responsáveis locais
Depois qual a opinião do IPPAR, local ?, Descobri ser agora a Direcção Regional de Cultura do Alentejo o organismo responsável pela Cultura em Évora. Pesquisei na Net. Descobri o nome do Sr. Dr. Director e mais nada consegui. Queria uma espécie de curriculum que me elucidasse sobre a sua qualificação para as coisas da Cultura. O Sr. será Sociólogo, ele ou um homónimo fazem umas fotos, será fotógrafo amador como, potencialmente, qualquer português em férias. Exerceu funções no Instituto da Juventude, uma referência não concludente a um Organismo Estatal sobre Droga, nomeado em reuniões de várias Câmaras Municipais, não se encontrando registo de quaisquer comunicações, discursos ou palestras sobre assuntos culturais. Sequer seja sobre o que for. Uma notícia de recusa de declarações sobre um problema no Forte do Pessegueiro. Ou não fazia ideia do que se tratava e não se queria comprometer ou não era politicamente oportuno e não se queria, também, comprometer. Qualquer das duas muito convenientes. Descubro finalmente, eu, ingénuo, que o Sr. tem um curriculum essencial, com tarimba e grande peso cultural. É membro da Comissão Politica do PS em Évora.
Membro da Comissão política de um partido, cargo de nomeação política. A Évora o que é de Évora.
Um nomeado político sem experiência ou conhecimento na área, mesmo responsável Cultural, pode até não ser capaz de distinguir S. Cucufate da Sé de Évora, não saber onde é o Crato, desconhecer Alvito. Está ali por nomeação política, até nova rotação de cargos. Logo estará noutra. Basta andar por lá, não precisa fazer seja o que for, além de nomear acólitos, que não lhe façam culturalmente sombra, funcionários de preferência não muito brilhantes cultural ou profissionalmente, que apoiem incondicionalmente o chefe, que não criem afrontas. Pensar que é um nomeado do PS, com uma Câmara PS.
Se houver opinião contrária dos serviços, será capaz de impor uma decisão técnica ao Sr. Ernesto com dinheiro para gastar?
Uma nova Ministra da Cultura…novo governo PS, que sorte, que sossego. Não havendo qualquer tipo de avaliação de desempenho dos serviços, não há que dar contas, que não as exigem. Só uma grande asneira, politicamente censurável, obrigaria o director a ser expulso. Que a Sra. não dá por mim se ficar quieto.
Basta nada fazer para que nada corra mal.
Admitamos que seja um funcionário competente, pelo menos tão competente como o é, enquanto militante do partido que o considerou qualificado, dando-lhe a prebenda.. Seria uma mais-valia para a região. Se souber, se tiver a experiência necessária, coragem política para exercer o cargo justamente, com competência e saber profissional que parece não ter agora, se souber ir, apoiado por técnicos qualificados, contra os ditames camarários, direcção em Lisboa, interesses partidários, se souber defender esta cidade, óptimo. Que, com a sua equipa, bem dirigida, motivada, técnica, independente de interesses, saiba defender a Cultura de Évora e de todo o Alentejo. Estude. Faça o seu trabalho, esteja presente, seja interessado. Mostre à região que afinal até sabe fazer qualquer coisa, que é muito mais que o protagonista ocasional de mais um caso de “job for the boys”
Se não o fizer, mesmo assim, Évora há-de sobreviver-vos. Se calhar com grandes estragos, mas já sobreviveu a gentinha com muito piores ideias.